terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Há histórias sem princípio nem fim... Tal como esta...

"...sentia-se estranha, por mais que não quisesse pensar nisso, o acontecimento perturbava-a. Apesar da pessoa que tinha, nessa tarde, descansado na sua cama ser da família ela achava que a sua 'propriedade' tinha sido invadida... "Com tantas mais divisões na casa para repousar porque tinha que ir parar ao MEU quarto?!" - pensava, indignada. O seu refugio intocável tinha sido penetrado por alguém que não fazia parte das poucas pessoas que o podiam frequentar.
O simples facto de alguém ter estado no quarto dela, no geral, não era realmente de grande importância, o que a magoou verdadeiramente foi saber que viram o que não era suposto verem... É certo que está a vista, mas é profundo demais para ser partilhado daquela maneira, as raízes dela estavam presas àquela terra e tal como acontece com as árvores, as raízes escondidas e despidas são muito mais fortes e maiores do que os ramos vistosos e cheios de folhas.
Olhou-se ao espelho para tentar compreender a sua própria expressão diante de tanta informação processada em tão poucos segundos: tinha os olhos escuros ainda mais negros, a face sem nenhuma expressão como se por breves momentos tivesse perdido a imensa capacidade de sentir.
Então achou que fazia sentido expulsar a tristeza que, curiosamente, se tinha apoderado dela durante esse dia.
Abraçou essa terra bem junto do seu peito e chorou..."

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